Ciência Sem Fronteiras: Entrevista com André Gaglioti (IBt-SP)


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Aluno de doutorado do programa de pós-graduação do Instituto de Botânica de São Paulo (IBt-SP), André Gaglioti é especialista na família Urticaceae. Ele está desenvolvendo seu estudo com foco em filogenia e biogeografia do gênero Pourouma Aublet e parte do seu doutorado foi realizada nos Estados Unidos por meio do programa Ciência Sem Fronteiras. Ele contou um pouco da sua experiência fora do país na entrevista a seguir.

George Weiblen e equipe da Universidade de Minnesota

George Weiblen e equipe da Universidade de Minnesota.

1. Recentemente você teve a oportunidade com o programa Ciência Sem Fronteiras para realizar parte do seu estudo fora do país. Para onde você foi e com quem trabalhou?
Realizei o estágio de doutorado sanduíche na Universidade de Minnesota (Estados Unidos, Minnesota), sob orientação do Dr. George D. Weiblen.

2. Quais as principais atividades que foram desenvolvidas?
Durante o estágio de doutorado sanduíche foram obtidas 300 sequências de sete marcadores moleculares para Cecropia, Coussapoa, Pourouma, Musanga, Myrianthus e Poikilospermum, bem como dois gêneros de cada tribo de Urticaceae. A maior parte dessas sequências, ainda são inéditas para a ciência, além disso alguns gêneros, como Musanga, Myrianthus e Pourouma, vem sendo testados pela primeira vez em uma filogenia para Urticaceae. Os resultados parciais das análises moleculares corroboram para monofilia da tribo Cecropieae, formada por Cecropia, Coussapoa, Pourouma, Musanga, Myrianthus, bem como a monofilia dos gêneros.

Imagens de algumas plantas estudadas.


3. Qual o impacto que a oportunidade teve para o desenvolvimento do seu estudo?
O estágio de doutorado sanduíche foi fundamental para os avanços no conhecimento do grupo, permitindo elaborar uma hipótese filogenética para a tribo Cecropieae. Um artigo intitulado: “Reconstructing the phylogeny of the tribe Cecropieae Gaudich. (Urticaceae)”, elaborado em coautoria com o Dr. George D. Weiblen, encontra-se em fase final de redação.

4. Quais os pontos positivos do período que passou fora do país?
O estágio de doutorado sanduíche foi positivo em todos os aspectos, tanto científicos, quanto pessoais. Foi uma experiência que recomendo a todos os alunos de pós graduação.

Extracao de DNA com CTAB

André no laboratório realizando extração de DNA das amostras.

5. Qual foi o impacto que a saída do Brasil teve para a consolidação de parcerias internacionais?
Os objetivos propostos para o doutorado sanduíche, foram atingidos, inclusive com incremento da parceria entre os orientadores, Dr. Sergio Romaniuc Neto (Instituto de Botânica) e o Dr. George D. Weiblen (Universidade de Minnesota). Uma visita do Dr. Weiblen ao Brasil, foi realizada em dezembro de 2013, onde tivemos a oportunidade de aprofundar nossas discussões sobre o grupo Urticineae, inclusive entre outros colegas pós graduandos que fazem parte da equipe do Dr. Romaniuc.

6. Qual a importância da disponibilidade livre e aberta dos dados na rede INCT-HVFF?
As informações disponibilizadas pelo INCT constituem importantes ferramentas para estudos sobre o conhecimento da flora do Brasil, bem como fornecem subsídios para políticas de conservação no país. Como usuário do INCT – Herbário Virtual da Flora e dos Fungos, posso afirmar que essa rede é fundamental para o avanço no desenvolvimento das pesquisas científicas no Brasil.

No laboratório preparando um gel de eletroforese.

No laboratório preparando um gel de eletroforese.

7. Que ferramentas e aplicativos disponíveis na rede INCT-HVFF foram importantes para o seu trabalho?
Utilizo praticamente todas as ferramentas do site, das quais posso destacar: a busca no speciesLink (base de dados), o data Cleaning, o conversor, o geoloc, coletores de plantas do Brasil, entre outros.

8. O desenvolvimento do seu trabalho trouxe algum feedback aos herbários participantes da rede INCT-HVFF? Que tipo de feedback e quais herbários?
Durante o estágio de doutorado sanduíche tive a oportunidade de visitar os herbários do Missouri Botanical Garden (MO), Field Museum of Natural History (F) e University of Minnesota (MIN), em que foram identificados cerca de 250 espécimens e 512 materiais de Pourouma foram solicitados o empréstimo ao Herbário do Instituto de Botânica de São Paulo (SP). Além disso, foram feitos cerca de 2500 registros fotográficos da coleção de Urticaceae desses herbários. A imagem e informações do rótulo vem sendo inseridos em um banco de dados. Essas informações e os materiais solicitados como empréstimo, serão fundamentais para a finalização da revisão taxonômica de Pourouma, bem com o estudo de outros gêneros de Urticaceae.

Parietaria debilis G. Forst. Ccoleta de Charles Darwin feita em Galápagos. O material está depositado no Herbário (P), em Paris.

Parietaria debilis G. Forst. Coleta feita por Charles Darwin nas Ilhas Galápagos em 1835. O material possui ilustrações associadas e se encontra depositado no Herbário (P), em Paris.

9. Algum modelo de distribuição geográfica com base no nicho ecológico da espécie foi gerado?
Sim. Atualmente estou nos seis meses finais de doutorado, finalizando a tese intitulada “Filogenia e Biogeografia de Pourouma Aublet”. Os dados do INCT serviram de base para o início e direcionamento de minha coletas durante meu doutorado.

10. Você teve problemas com a falta de coordenadas geográficas dos espécimes? Os espécimes sem coordenadas eram coletas antigas ou recentes?
Meus problemas foram mínimos, principalmente ligados a coletas antigas.

11. Você incluiu ou incluirá imagens das plantas vivas e/ou exsicatas na rede?
Ainda não, mas possivelmente irei incluir.

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