Ciência Sem Fronteiras: Denise da Costa (JBRJ) e a coleção de briófitas de Glaziou

Com apoio do INCT-Herbário Virtual, a Dra. Denise Pinheiro da Costa do Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro desenvolveu um estudo sobre as coleções de briófitas realizadas por Glaziou em solo brasileiro e depositadas no herbário do Museu de História Natural de Paris. Boa parte dos dados já se encontra disponível online no Herbário Virtual da Flora e dos Fungos. 

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Exemplo de exsicata determinada por Denise no Herbário do Museu de História Natural de Paris.

O herbário do Museu de História Natural de Paris (PC) é um centro de referência em coleções botânicas, pois ali trabalharam alguns dos especialistas mais importantes dos séculos XIX e XX, entre eles Auguste François Marie Glaziou. Destacam-se as coletas feitas por Glaziou no estado do Rio de Janeiro entre 1867-1889, sendo algumas oriundas de localidades que hoje estão em área urbana (Tijuca, Copacabana, Glória, Quinta, etc.), enquanto outras de áreas ainda bem preservadas (Itatiaia, Petrópolis, Alto Macaé, Serra dos Órgãos, etc.), o que torna essas coleções de um valor inestimável tanto para a briologia no país, quanto para a Mata Atlântica do estado.

O projeto objetivou “repatriar” dados das coleções de Glaziou no Rio de Janeiro depositadas no herbário de Museu de História Natural de Paris, constituindo uma oportunidade ímpar para diminuir parte da lacuna taxonômica da briologia no país, ao possibilitar acesso às coleções antigas de referência, principalmente material-tipo. Neste contexto, em 2013 foi realizado o estudo e resgate das informações das coleções de Glaziou no herbário PC, localizando as coleções, os tipos, identificando e/ou atualizando as identificações, fotografando rótulos e plantas. Esse projeto envolve outros dois pesquisadores brasileiros, especialistas em briófitas, os Drs. Paulo Câmara (UNB) e Denilson Peralta (IBt).

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Exsicata determinada por Denise e disponibilizada pelo INCT-Herbário Virtual.

O acesso a essas coleções permitiu a obtenção de uma grande quantidade de informações, o que ajudará tanto na taxonomia de diferentes gêneros, como na avaliação da real diversidade desses gêneros no país. No total foram trabalhadas 942 amostras (596 de musgos, 344 de hepáticas e 2 de antóceros), representando 216 espécies (110 de musgos, 104 de hepáticas e 2 de antóceros), e 68 tipos. Foram realizadas 3527 fotos (1291 de musgos e 2236 de hepáticas). Toda a informação será disponibilizada, em breve, através de publicações e da internet, tanto pelo Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro quanto pelo Museu de História Natural de Paris.

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Exemplo do processo de fotografia de uma das espécies estudadas.

Coleções estudadas

1. Coleção geral – No total foram estudados: MUSGOS: 51 gêneros, 110 espécies, 596 amostras e 52 tipos; HEPÁTICAS: 20 gêneros, 30 espécies, 116 amostras e 11 tipos; ANTÓCEROS: 1 gênero, 1 espécie e 1 tipo. Em relação aos tipos foram estudados 63, sendo 11 de hepáticas, 1 de antóceros e 51 de musgos. Foram ainda encontradas 15 amostras não indicadas como tipo e que foram tipificadas, todas de musgos (12 isótipos, 2 holótipos e 1 síntipo). Todas as amostras foram fotografadas.

2. Coleção de hepáticas particular de Glaziou e não estudada – No processo de organização da coleção do herbário PC foram separados 28 pacotes formados por mini-exsicatas separadas por gêneros de hepáticas, antóceros e musgos, coletadas e numeradas por Glaziou entre os anos de 1867-1889, período em que viveu no Rio de Janeiro. Essa coleção nunca tinha sido estudada e o Museu de História Natural de Paris a separou para que eu pudesse estudá-la durante minha estadia na instituição. A coleção encontra-se em perfeito estado de conservação, as coletas são excelentes, o volume de material é grande, possibilitando a retirada de duplicatas, contam com etiqueta manuscrita por Glaziou com informações sobre a localidade, data e número de coleta, o que é uma raridade para as coleções de Glaziou depositadas em outros herbários. Durante o estudo dessa coleção foram localizados diversos tipos (holótipos, isótipos, isosíntipos e isolectótipos) citados nos trabalhos de Hampe e muitas vezes com duplicatas depositadas na coleção geral do herbário PC, ou nas coleções do British Museum (BM) e New York Botanical Garden (NY). Foram identificados e fotografados dessa coleção de hepáticas do Rio de Janeiro, 230 amostras, correspondendo a 49 gêneros e 106 espécies. Esse total corresponde a 48% dos gêneros e 29% das espécies da flora de hepáticas do Estado.

Banco de imagens

As fotografias foram realizadas quando da preparação das lâminas para estudo do material no estereomicroscópio e microscópio objetivando a identificação. No total foram retiradas ca. 3700 fotos, sendo 1695 (1291 de musgos e 404 de hepáticas) da coleção geral e 1932 da coleção de hepáticas não estudadas do Glaziou. No total foram estudadas e fotografadas 942 amostras (596 de musgos, 344 de hepáticas e 2 de antóceros), num total de 216 espécies (110 de musgos, 104 de hepáticas e 2 de antóceros) e de 68 tipos.

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As imagens disponibilizadas podem ser acessadas pelo serviço Exsiccatae do Herbário Virtual da Flora e dos Fungos.

Resultados e contribuições científicas desse estudo

Uma das principais contribuições desse estudo foi o resgate e disponibilização das informações e imagens das coleções de briófitas realizadas por Glaziou no estado do Rio de Janeiro, para taxonomistas brasileiros e do mundo, que poderão acessar essas informações, reduzindo as dificuldades taxonômicas encontradas em diversos gêneros e famílias, visto que muitas dessas coleções são tipos e/ou de referência.

Ressaltamos que não existe ainda no Brasil um site que ofereça esse tipo de informação científica para briólogos, e a Lista de Espécies da Flora do Brasil juntamente com o INCT-Herbário Virtual serão pioneiros nesse sentido com a disponibilização de todas essas informações.

280px-Logo_mnhn

inct_imagem destacadaPor Denise Pinheiro da Costa – Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ)

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