Ciência Sem Fronteiras: Entrevista com Géssica Costa (UFPE)


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Aluna de doutorado em Biologia Vegetal pela Universidade Federal de Pernambuco, a pesquisadora Géssica Costa está desenvolvendo seu estudo com foco em taxonomia e filogenia de Gurania (Cucurbitaceae). Parte do seu doutorado foi realizada nos Estados Unidos por meio do programa Ciência Sem Fronteiras e ela contou um pouco da sua experiência fora do país na entrevista a seguir.

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1. Recentemente você teve a oportunidade com o programa Ciência Sem Fronteiras para realizar parte do seu estudo fora do país. Para onde você foi e com quem trabalhou? Quais as principais atividades que foram desenvolvidas?
O estágio sanduíche foi realizado nos Estados Unidos, onde foram analisadas importantes coleções do gênero que estou revisando em minha tese de doutorado. Os herbários visitados foram The New York Botanical Garden (NY), Missouri Botanical Garden (MO) e Botanical Research Institute of Texas (BRIT). Na ocasião fui orientada pelos doutores Michael Nee e William Wayt Thomas, ambos taxonomistas do The New York Botanical Garden. Foram realizadas análises morfológicas com cerca de 6 mil exsicatas que representam amostras de Gurania das Américas Central e do Sul, além da análise de cerca de 90% da coleção de typus do gênero.

2. Qual o impacto que a oportunidade teve para o desenvolvimento do seu estudo?
A oportunidade foi indispensável para os avanços na sistemática de Gurania. Além da realização do tratamento taxonômico, que permitirá novas delimitações das espécies do gênero, foram encontradas novas ocorrências para o Brasil e novas espécies para a ciência, provenientes da América do Sul.

3. Quais os pontos positivos do período que passou fora do país?
Dentre os principais pontos, destaco a imersão em uma cultura diferente o que proporciona experiências únicas em diferentes campos, a consolidação de parcerias e o amadurecimento profissional.

Géssica Costa com Michael Nee (NYBG) e Marty Condon (Cornell College) no Missouri Botanical Garden.

Géssica Costa com Michael Nee (NYBG) e Marty Condon (Cornell College) no Missouri Botanical Garden.

4. Qual foi o impacto que a saída do Brasil teve para a consolidação de parcerias internacionais?
A estadia fora do país nos permitiu solidificar parcerias já existentes e firmar novas parcerias fundamentais para o desenvolvimento da nossa pesquisa. Temos em vista a realização de uma abordagem multidisciplinar para a revisão do gênero em estudo que envolve, por exemplo, filogenia, taxonomia e evolução. O estágio permitiu discutir e organizar os dados com os especialistas nas diferentes áreas sob esta perspectiva. Dentre nossos parceiros estão a PhD Marty Condon (Cornell College, USA) que desenvolve estudos com abordagem co-evolutiva, focados na interação planta-inseto entre Gurania e moscas do gênero Blepharoneura; PhD Susan Swensen (Ithaca College, USA), que desenvolve conosco a filogenia de Gurania; PhD Michael Nee (The New York Botanical Garden, USA) taxonomista especialista em Cucurbitaceae que nos auxilia no tratamento taxonômico e Amanda Neill (Botanical Research Institute of Texas), curadora do herbário BRIT, através da qual conseguimos empréstimos de varias coleções importantes mundialmente.

Botanical Research Institute of the Texas.

Botanical Research Institute of the Texas.

5. Qual a importância da disponibilidade livre e aberta dos dados na rede INCT-HVFF?
A disponibilidade livre e aberta dos dados proporciona análises práticas e ágeis, poupando tempo e recursos, uma vez que muitos dados podem ser compilados e comparados ao mesmo tempo. Como exemplo, são de grande valia principalmente os dados sobre localização das espécies que nos permitem otimizar o planejamento das expedições de coleta e escolha de coleções representativas para serem analisadas pessoalmente.

Géssoca coletando Gurania na Bahia.

Géssica coletando Gurania na Bahia.

6. Que ferramentas e aplicativos disponíveis na rede INCT-HVFF foram importantes para o seu trabalho?
A maioria das ferramentas são de grande utilidade para o desenvolvimento do nosso trabalho. Porém, atualmente tenho utilizado principalmente a busca na base de dados do speciesLink e o geoLoc.

7. Você procurou alguma ferramenta ou dado e não achou na rede INCT-Herbário Virtual da Flora e dos Fungos?
Às vezes tenho necessidade de saber se houveram novas atualizações ou identificações em uma determinada coleção que já analisei e noto que não é possível fazer esta consulta de forma prática. Talvez pudesse ser útil um campo de busca onde pudessemos filtrar pelas datas de atualização/ identificação similar aos filtros para determinador, coletor, etc.

Digitalização de exsicatas no herbario BRIT.

Digitalização de exsicatas no herbario BRIT.

8. O desenvolvimento do seu trabalho trouxe algum feedback aos herbários participantes da rede INCT-HVFF? Que tipo de feedback e quais herbários?
Todo o acervo analisado foi devidamente identificado e atualizado, inclusive as coleções de material typus. Muitas destas informações já estão disponibilizadas na internet. No total já foram analisadas coleções de mais de 50 herbários nacionais e estrangeiros.

9. Algum modelo de distribuição geográfica com base no nicho ecológico da espécie foi gerado?
Ate o momento ainda não, mas pretende-se fazê-lo.

10. Você teve problemas com a falta de coordenadas geográficas dos espécimes? Os espécimes sem coordenadas eram coletas antigas ou recentes?
Sim. Ainda existe uma grande deficiência destes dados no grupo o qual estudo. Varias espécies, principalmente amazônicas, tem seu conhecimento e distribuição bastante limitados. Com a falta de coordenadas torna-se inviável tentar localizar estas populações para a obtenção de mais dados e registros, especialmente com espécimes antigos cujos os nomes das localidades foram bastante alterados com o tempo. Existem problemas com coordenadas antigas e recentes, mas sem dúvida é predominante a falta de coordenadas em coletas históricas e as que datam até os anos de 1980.

11. Você incluiu ou incluirá imagens das plantas vivas e/ou exsicatas na rede?
A maioria das espécies está sendo recircunscrita e tão logo as informações sobre elas estejam disponíveis para uso, as exsicatas e imagens de plantas vivas serão disponibilizadas ao público.

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