Ciência Sem Fronteiras: Entrevista com Raquel Monteiro (JBRJ)


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Aluna de doutorado em Botânica do Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro, a pesquisadora Raquel Fernandes Monteiro está desenvolvendo seu estudo com foco em filogenia de Bromelia L. (Bromeliaceae), contando com uma revisão do clado do Brasil Central. Parte do seu doutorado foi realizada na Europa por meio do programa Ciência Sem Fronteiras e ela contou um pouco da sua experiência fora do país na entrevista a seguir.

Visita ao herbário LG

Visita ao herbário LG. Na foto, Raquel Monteiro ao lado do busto de Ed. Morren, um grande taxonomista belga de Bromeliaceae do século XIX que trabalhava com uma coleção viva que mantinha em Liége na Bélgica.

1. Recentemente você teve a oportunidade com o programa Ciência Sem Fronteiras para realizar parte do seu estudo fora do país. Para onde você foi e com quem trabalhou? Quais as principais atividades que foram desenvolvidas?
Fui para Frankfurt na Alemanha e trabalhei com o Prof. Dr. Georg Zizka na Goethe Universität Frankfurt e no Senckenberg Museum. Ambos institutos muito bem capacitados e conceituados nos estudos em Biologia. O Prof. Zizka é especialista em sistemática e evolução de Bromelioideae, subfamília de Bromeliaceae a qual está inserido o gênero que estudo, Bromelia L.. Certamente não havia profissional mais indicado a me orientar nessa etapa do meu trabalho. Foram realizados trabalhos em laboratório de análise molecular visando a filogenia. Deste modo, houve o isolamento do DNA, amplificação e sequenciamento do mesmo a partir de amostras do gênero Bromelia L. coletados no Brasil e provenientes de coleções vivas do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Universität Heidelberg, Marie Selby Botanical Garden e pessoal do desembargador Elton M.C. Leme, além das amostras cedidas por colaboração com a Dra. Ivón Ramirez (Centro de Investigacíon Cinetífica de Yucatan – México) e o MSc. Julián Aguirre (The New York Botanical Garden). Também foram feitas análises filogenéticas a partir das sequências de DNA nuclear e plastidial além do AFLP – Amplified fragment length polymorphism. Ainda, foram realizadas análises de citometria de fluxo visando obter o tamanho do genoma e a ploidia das espécies do gênero sem haver a necessidade da contagem cromossômica. Por fim, foram feitas visitas técnicas aos herbários europeus B, BM, BOLO, GOET, HEID, K, LG, P e W nos quais typus das espécies do gênero Bromelia L. encontram-se depositados.

2. Qual o impacto que a oportunidade teve para o desenvolvimento do seu estudo?
Foi de extrema valia o tempo passado em Frankfurt já que a excelente infraestrutura e experiência de trabalho proporcionou maior eficiência no progresso do que se havia proposto. Com isso, foi possível desenvolver minha pesquisa a nível molecular com máxima eficácia. Da mesma forma a visita aos herbários me permitiu entender melhor as espécies estudadas e melhor estabelecer seus limites e circunscrições.

Coleta de Bromelia hieronymi Mez no Paraguai.

Coleta de Bromelia hieronymi Mez no Paraguai.

3. Quais os pontos positivos do período que passou fora do país?
Com relação à tese, houve um grande desenvolvimento em pouco tempo do meu trabalho de doutorado, análises inéditas e consultas a materiais especiais de suma importância foram possíveis, ampliação da rede de contatos de trabalho, além do aprendizado de técnicas desconhecidas por mim. Pessoalmente houve um grande enriquecimento cultural e aprendizado de nova língua.

4. Teve algum lado negativo dessa experiência?
O único ponto negativo foi o tempo que passei longe da família e amigos do Brasil.

5. Qual foi o impacto que a saída do Brasil teve para a consolidação de parcerias internacionais?
Com certeza foi de grande impacto visto que foram estabelecidas parceria sólidas para futuras produções científicas e para futuros projetos. Também foi possível estabelecer parcerias com outras instituições graças às visitas técnicas aos herbários e ao encontro de Bromeliaceae que participei na Kassel Universiät.

6. Qual a importância da disponibilidade livre e aberta dos dados na rede INCT-HVFF?
Foi muito importante a disponibilização dos dados online principalmente no trabalho taxonômico desenvolvido nos herbários europeus. Houve ainda a possibilidade de obtenção de dados de distribuição das espécies e a conferência na determinação de táxons, levando em consideração que estava a consultar os typus.

7. Que ferramentas e aplicativos disponíveis na rede INCT-HVFF foram importantes para o seu trabalho?
Mapas, buscas e imagens para visualizar a distribuição de táxons e conferir as identificações e algumas características morfológicas.

8. O desenvolvimento do seu trabalho trouxe algum feedback aos herbários participantes da rede INCT-HVFF? Que tipo de feedback e quais herbários?
Sim. No exterior novas identificações e correções nomenclaturais foram realizadas. No Brasil novas coletas foram realizadas e incorporadas às coleções. Os seguintes herbários foram beneficiados: BHCB, CEN, CEPEC, CESJ, CVRD, EAC, ESA, F, G, HUESF, INPA, US, NY, R, RB, SP, SPF, UB e UFMS.

9. Você teve problemas com a falta de coordenadas geográficas dos espécimes? Os espécimes sem coordenadas eram coletas antigas ou recentes?
Alguns. As coordenadas geográficas são muito importantes para localizar as espécies, conferir algumas identificações e obter a real distribuição do táxon até mesmo para definir o status de conservação dessa espécie. Os principais problemas foram com coletas antigas.

10. Você incluiu ou incluirá imagens das plantas vivas e/ou exsicatas na rede?
Ainda não inclui, mas principalmente para Bromelia L., essas imagens de plantas vivas podem ajudar na identificação de espécies, pois a herborização das mesmas nem sempre é adequada, o que leva a perda de caracteres importantes para a identificação. Sendo assim, certamente incluirei as imagens de plantas vivas. Quanto às exsicatas, caso seja possível, também pretendo incluir as que tiver.

Coleta de Bromelia grandiflora Mez no Pará.

Coleta de Bromelia grandiflora Mez no Pará.

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