Herbário da UFU, em Uberlândia, guarda 69 mil espécimes de plantas secas

Lílian Araújo é técnica do herbário e Lívia Echternacht é curadora do projeto na universidade (Foto: Cleiton Borges).

Lílian Araújo é técnica do herbário e Lívia Echternacht é curadora do projeto na universidade (Foto: Cleiton Borges).

A coleção é grande. Quase 69 mil espécimes de plantas de todas as partes do mundo, principalmente do cerrado mineiro. Centenas delas sequer tem catalogação. Esse é o herbário da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). A coleção de plantas secas serve como referência para pesquisas em diversas áreas da Biologia. É um dos maiores herbários de Minas Gerais e é uma coleção de referência para o Triângulo Mineiro. O maior herbário brasileiro está no Museu Nacional, no Rio de Janeiro, um acervo de 500 mil amostras. Já o Museu Nacional de História Natural, em Paris (França), tem a maior coleção de plantas do mundo, com 7,5 milhões de exemplares.

Os espécimes do Herbarium Uberlandense (HUFU) são resultados de coletas feitas por pesquisadores da UFU e de permutas com instituições brasileiras e internacionais. “Nós mandamos exemplares para outras universidades e outros países e também recebemos muitos. Essa troca é principalmente de espécimes não catalogados, porque outros especialistas podem conhecer a planta e retornam as descrições”, disse a professora do Instituto de Biologia da UFU e curadora do herbário, Lívia Echternacht.

A Paepalanthus serpens, por exemplo, é da família do capim-dourado e está sendo catalogada por Lívia Echternacht, que pretende enviar exemplares para outros países. A especialista deu esse nome à planta encontrada na Serra do Cipó porque o caule dela fica por cima das pedras e tem aparência de uma cobra. “Nós não conhecíamos esse espécime. Estamos estudando e catalogando. Como colhi mais de uma amostra, a intenção é enviar para outros herbários. Às vezes, um especialista de outro país já tenha estudado o espécime e tenha mais detalhes sobre a planta”, disse a professora.

O HUFU pode ser visitado com hora marcada. Para agendar a visita, basta ligar no telefone (34) 3218-2810 ou pessoalmente no bloco 4Q no campus Umuarama da UFU.

Plantas são desidratadas e, depois, são presas em cartolina (Foto: Cleiton Borges).

Plantas são desidratadas e, depois, são presas em cartolina (Foto: Cleiton Borges).

Amostras passam por processos

Depois de colhidas, as plantas que compõem o herbário da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) passam por alguns processos até chegar à estante do herbário como exsicata, que é a amostra prensada, seca, fixada em uma cartolina e acompanhada das informações.

O primeiro passo é colocar o vegetal em um jornal, prensar e deixá-lo sobre uma luz que vai desidratá-lo. “É a transformação do espécime 3D para 2D, para ocupar menos espaço. Ao mesmo tempo, ele é seco para que não prolifere insetos”, disse a técnica do HUFU, Lílian Flávia Araújo Oliveira.

Depois, a planta já seca e prensada e passa alguns dias no freezer. “O processo é para que os vegetais não fiquem quebradiços e com insetos”, disse Lília Oliveira. Agora, é a vez de ir para as mãos das “costureiras”. “Elas costuram o espécime na cartolina de forma que fique bem preso. Depois, colocamos as etiquetas com as informações de onde e quando foi coletado, por quem, as características, a família a que pertence, e vai para o armário.”

A sala preparada com vários armários compactos, onde as exsicatas são organizadas de acordo com a espécie, é ambientada a 16° para evitar os insetos que estragam os exemplares. Os mais importantes, chamados de espécimes-tipos ou tipos (material de referência para identificação da espécie), ficam no freezer para garantir que nenhum inseto vai prejudicá-los, disse a curadora Lívia Echternacht.

Por Daniela Nogueira [Correio de Uberlândia, 28.06.14]

Talvez goste também de...