Seminário discute vida e obra de Frei Vellozo, primeiro botânico brasileiro.

Evento será realizado no próximo dia 29, em seminário que compõe a programação do 2º Festival de Artes & Tradições de Tiradentes 

Pesquisadores da UFMG e da Universidade Federal de São João del Rey (UFSJ) vão abordar a vida e a obra do frei Mariano da Conceição Vellozo (1742-1811), no próximo dia 29, em seminário que compõe a programação do 2º Festival de Artes & Tradições de Tiradentes.

Aberto ao público, sem necessidade de inscrição, o Seminário Frei Vellozo: cientista tiradentino do século 18 será realizado das 9h às 12h, no Centro Cultural Sesiminas Yves Alves, em Tiradentes.

Na primeira conferência, Carlos Alberto Filgueiras, professor do Instituto de Ciências Exatas (ICEx) da UFMG, abordará o tema Vida o obra de Frei Vellozo.

Em seguida, Maria das Graças Lins Brandão, aposentada da Faculdade de Farmácia da UFMG e professora visitante da UFSJ, apresentará aspectos da sua pesquisa Plantas úteis e medicinais da obra de Frei Vellozo, desenvolvida como professora residente do Campus Cultural Tiradentes da UFMG.

No trabalho, Graça Lins Brandão identificou 371 plantas úteis e medicinais entre as quase duas mil espécies vegetais descritas por Vellozo em Florae Fluminensis, primeira obra de botânica do país (leia mais em reportagem no Boletim UFMG).

Às 10h50, Adilson Siqueira, coordenador do Programa Interdisciplinar de Artes, Urbanismo e Sustentabilidade da UFSJ, discutirá o tema Descolonização.

Às 11h30, os conferencistas participam de mesa-redonda que será mediada por Rogério de Almeida, diretor do Museu da Liturgia e membro do Instituto Histórico e Geográfico de Tiradentes.

Trajetória
O frei Mariano da Conceição Vellozo nasceu em Tiradentes em 1742 e seguiu para o Rio de Janeiro aos 20 anos, para seguir carreira eclesiástica. A obra Florae Fluminensis, escrita por encomenda do vice-rei do Brasil, Luís de Vasconcelos e Sousa, só foi publicada de 1825 a 1831, após a morte do autor. “A trajetória do Frei Vellozo é muito similar à dos cientistas brasileiros dos dias atuais, que convivem com a retirada de financiamento e com a falta de reconhecimento do valor do seu trabalho”, compara Maria das Graças.

De acordo com biógrafos de Vellozo, depois de alguns reveses em sua carreira, que incluem promessas oficiais não cumpridas, ida a Portugal e retorno ao Brasil, os originais do trabalho ficaram desaparecidos até 1824. A obra foi impressa por ordem do imperador Pedro I, que vislumbrou na divulgação do trabalho de um naturalista brasileiro uma forma de afirmação da nova nação. Frei Vellozo morreu no Rio de Janeiro, em 1811.

UFMG – JC Notícias – Edição 5922, 20/06/2018 (SBPC) 

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